terça-feira, 29 de julho de 2014

Poema pra Ilderlane



Não é tão fácil perceber com dedos e olhos
O eco de beleza que do outro vem
Sem estrondo e sem alarde, diminuto
                         e absoluto...
Ouvidos para ouvir o som dos olhos 
ou mesmo um sorriso maroto,
broto desatando em flor nesse jardim sem fim
nem todos possuem um dom assim

Mas diante de ti, impossível não brotar
o milagre da sensibilidade.
A pele, o jeito, a voz e tato revelam o trato
que Deus deu ao fruto seu.
Os que em tua volta estão agradecem
Teus pais, amor e amigos a recebem
Como um bem maior, um abrigo nessa vida íngreme
E sem dó.

Sede sempre Ilderlane, contornando a curva do tempo
Florescendo para vida, obediente aos pedidos dos Seus
Uma boa menina aos olhos de Deus.

Valdemir Guimarães


domingo, 1 de junho de 2014

Cheila

Como não lembrar teu rosto
Se andando divisando a rua
Aprumo a vista e vem o gosto
Da mais bela imagem tua

Aí me pergunto se é miragem
Quando miro de longe um rosto vã
Se o que se afigura é linguagem
Devaneio, quiçá uma ilusão irmã

Só mais tranquilo fico quando
De perto certifico de seu
Os olhos que implico rufando
Nada mais que são os meus

Impacientes de ver que teu rosto
Quem sabe ao certo não queira 
O quanto de perto o meu exposto
Por onde anda clama por Cheila

Valdemir Guimarães





   

domingo, 20 de abril de 2014

Noite de aleluia, chuva e reggae na cidade codoense




Ontem, 19 de abril, sábado de aleluia no calendário cristão, além da chuva que banhou e lavou a cidade de Codó-MA, à noite, vi e dancei muito no show de um dos ícones do reggae jamaicano e do mundo: Cedric Myton.  
Antes, é claro, não é possível deixar de salientar, subiu ao palco a banda Capital Roots, São Luís-MA, essa também acompanhou a atração principal. Linda e simpática era a vocalista dessa banda que distribuiu simpatia e sensualidade com suas caras e olhares, admiráveis.
Mas antes, bem antes do espetáculo, depois que a chuva deu meia trégua aos fãs e admiradores da música jamaicana que chegavam para ver o show, um desconforto geral quase tira o ânimo de todos, inclusive o meu. Pois a água que caiu, e como caiu, não foi pouca, todos são cientes disso, pegou a estrutura da Casa de show, sobretudo a entrada, de “surpresa”, é o que pude constatar, tô sendo bonzinho quanto a “surpresa”. Pois ela, a Casa, não esperava mesmo, Nunca uma daquelas, deixando a desejar e muito.
Veja só, entrar descalço e com água a meia canela, cara, para uma Casa que pretende acolher bem seus frequentadores...foi mal, muito mal... Só pra quem gosta mesmo do som, do reggae, da viper jamaicana para não desistir e ir a um outro lugar.
Mas tirando esse pequeno-grande detalhe, a noite foi molhada por São Jorge e reggeada e sensual e gostosa e...

Cedric Myton e banda Capital Roots deram uma cara a noite, esquentaram os quadris do público inquieto, encheram o coração, dos que pulsavam com o som, de alegria... e via-se, assim vi, que quem ficou, gostou, não, isso é pouco, quem foi e ficou amou aquela noite de aleluia e chuva na cidade codoense.  

Valdemir Guimarães 

domingo, 13 de abril de 2014

Poemeto erótico


Não sei o que é isso por isso sinto e me calo
Vendo você tragar e regurgitar e meu falo.
Haverá outra boca santa, outra língua liquefaça
Que faça com tanta ânsia e fome
Fazendo bem a este homem?
Que lábios são esses que nus me envolve em beijos sem idade
Se não fosse teus dentes que vez ou outra
Me trazem a realidade:
- Caralho!
Sem maldade, dos teus lábios e boca faria meu reduto
Ao meu tenro ou inflexível malho.


Valdemir Guimarães
A aréola do seio e o bico no meio
Tez fina, divina.
A cor da pele que o seio encharca
Difere da grande mama, insana.
O desenho maior do círculo em poros
Rimas Salientes, envolventes

Inflamam-me,salivo os seios teus, gineceus.

Valdemir Guimarães  
Confesso que eu estava bem atrevido.
Parei-a no meio do passeio público
olhando fixamente o bico dos seus seios
Que vez ou outra brotava do corpete desleixado
Convidei-a para sair.
“- Não posso, sabes que eu estou namorando firme
O que os outros não vão dizer de mim?
Não quero mais ouvir aquela velha história.”
Dito isto, ficou-me a certeza de que ela não esquecera
Minha língua, mãos e a grande glande
Rompendo sua parede virtuosos de evangélica do sétimo dia.   

Valdemir Guimarães



Vejo surgindo tantos mortos na minha frente
Suas vísceras expostas no jornal do café da manhã
Neste domingo sem data, sem sol e sem mar
Seus corpos em preto e um negro mais contundente
Quase não se distingue o sangue e as tripas em meio
Ao breu e a violência.
Onde foi que tudo errou?
O que eu sei é que são irmãos meus
Filhos de outro pai de outra mãe
Filhos da noite da pauta, da puta, primos desse mundo.
Errante o corpo negro é exposto no jornal
Hoje em dia tão banal.

Valdemir Guimarães